O
art 1829 do Código Civil estabelece regra com relação a ordem da herança dos
herdeiros necessários e, embora mencione apenas o casamento este artigo,
atualmente também se aplica a União Estável.
Art. 1.829. A sucessão legítima
defere-se na ordem seguinte: (Vide Recurso Extraordinário nº 646.721) (Vide
Recurso Extraordinário nº 878.694)
I - aos
descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este
com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória
de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o
autor da herança não houver deixado bens particulares;
II -
aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III -
ao cônjuge sobrevivente;
IV -
aos colaterais.
A
União Estável deve ser compreendida como convivência pública contínua, duradoura
e com intuito do casal constituir família e se este não escolher o regime de
bens, o que é mais comum e por isso tema do nosso texto, será aplicado o regime
de Comunhão Parcial de Bens.
Neste
caso a companheira (o) terá direito a metade de tudo que foi adquirido,
onerosamente, na constância da União Estável, pois com relação a esses bens
será meeira (o).
Já
quanto aos bens particulares, ou seja, aqueles comprados antes da União
Estável, herdados ou doados ao falecido o Código Civil estabelece em seu art
1832 que:
Art. 1.832. Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, inciso
I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça, não podendo
a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos
herdeiros com que concorrer.
Importante
ressalvar que o direito à quota mínima, qual seja, um quarto da herança será
garantido apenas quando o companheiro sobrevivente for pai ou mãe de todos os
descendentes daquele que veio a óbito, lembrando que esta reserva se refere
apenas aos bens particulares do falecido.
Por exemplo, se o casal tinha 3 (três)
filhos, a (o) companheira (o) sobrevivente e cada um dos seus filhos receberá
25% da herança, mas se tinham 4 (quatro) quatro filhos ou mais, o companheiro sobrevivente
receberá quinhão maior, visto que o Código Civil lhe garante um quarto da
herança, cabendo aos descendentes o restante.
Já no caso em que o falecido deixa 4
(quatro) filhos, todos frutos de relacionamento anterior, tanto o sobrevivente
como cada um dos quatro filhos receberão o mesmo quinhão, ou seja, 20% da
herança.
Doutrina majoritária compreende que na
sucessão hibrida caso em que a companheira (o)
concorre, ao mesmo tempo, com filhos comuns e exclusivos do autor da herança
não se deve fazer a reserva da quarta parte a
(o) companheira (o), tratando-se todos os descendentes como se fossem
exclusivos do autor da herança.
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https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10604801/artigo-1829-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002.
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